O dinheiro tem sido uma parte central da sociedade humana há milhares de anos. Assumiu muitas formas, desde conchas do mar a metais preciosos, de notas de papel a impulsos digitais, passando até por enormes rodas de calcário esculpidas chamadas pedras rai. Apesar da sua omnipresença, a definição de dinheiro pode ser difícil de precisar.
Neste artigo, explica-se o que é (e não é) o dinheiro.
O que é o dinheiro?
Dinheiro é qualquer coisa com um valor percebido que possa funcionar como meio de troca, frequentemente sob a forma de notas, moedas ou dinheiro digital. Um meio de troca é um instrumento utilizado para vender online e adquirir bens e serviços. O dinheiro serve também como reserva de valor para utilização em transações futuras.
O dinheiro é útil para facilitar o comércio. Ao contrário de um sistema de troca direta, onde os bens são trocados sem intermediários (por exemplo, uma cabra em troca de um pote de azeite), um sistema monetário permite a troca de bens por um item intermediário aceite (por exemplo, uma cabra em troca de uma determinada quantia de dinheiro, que pode ser gasta posteriormente num pote de azeite ou em qualquer outra coisa).
Características do dinheiro
O dinheiro precisa de ter um valor amplamente aceito para funcionar como meio de troca de bens. Normalmente, possui várias outras características importantes, que distinguem as formas primitivas de dinheiro daquelas utilizadas numa economia moderna.
Reconhecível
O dinheiro tem de ser reconhecível para ser amplamente aceito. O poder de compra de uma moeda provém de um valor consensual, pelo que deve ser consistente e facilmente identificável para obter aceitação generalizada.
Durável
Ao longo da história, o dinheiro tem sido durável. Quer se trate de moedas de ouro, moedas de prata, moedas padronizadas não preciosas ou até notas de papel, o dinheiro físico deve durar tempo suficiente para continuar a representar e armazenar valor. Se o dinheiro não for suficientemente durável, pode perder valor caso os utilizadores não estejam dispostos a conservá-lo ou aceitá-lo como pagamento.
Fungível
O dinheiro é fungível, ou seja, intermutável, o que permite ao detentor da moeda trocá-la e permutá-la por outra moeda, uma mercadoria física ou qualquer coisa com um valor igual ou semelhante.
Estável
O dinheiro é eficaz quando a sua valorização é relativamente estável. Flutuações acentuadas no valor de uma moeda podem minar a confiança, reduzindo a sua utilidade como meio de troca. Esta é uma das principais razões pelas quais as criptomoedas, sujeitas a oscilações amplas de valorização, quase não têm utilização no comércio quotidiano.
Portátil
O dinheiro físico é portátil e pode ser transportado de um lugar para outro. Se o dinheiro fosse demasiado pesado ou frágil para transportar, não seria muito útil. As moedas digitais, que incluem as representações eletrónicas do dinheiro numa conta bancária online, são eficazes quando acessíveis em muitos locais e compatíveis com os métodos de pagamento mais utilizados.
Funções do dinheiro
O dinheiro desempenha três funções básicas na economia.
Meio de troca
O dinheiro permite às pessoas comprar bens e serviços sem terem de oferecer imediatamente um bem ou serviço equivalente em troca. Em vez disso, é possível trocar dinheiro no lugar de bens físicos, o que torna o e-commerce e o comércio em geral consideravelmente mais eficientes.
Reserva de valor
O dinheiro que mantém o seu poder de compra ao longo do tempo funciona como reserva de valor. Quem detenha um metal precioso, por exemplo, pode ter a certeza razoável de que este valerá algo no futuro, pelo que funciona como reserva de valor. O mesmo se aplica a euros, dólares, pesos ou renminbi.
Unidade de conta
O dinheiro é uma representação de valor ou riqueza. Como unidade de conta, mede a quantidade de valor ou riqueza que uma pessoa ou empresa detém. Pode também ser utilizado para medir lucros e perdas, determinar a valorização de uma empresa ou ativo e facilitar comparações de valor entre bens e serviços, sendo essencial para qualquer estratégia de preços.
Tipos de dinheiro
Como meio de troca funcional, existem vários tipos de dinheiro tanto em forma como em sistemas subjacentes. A maior parte do dinheiro enquadra-se numa das quatro categorias seguintes.
Dinheiro-mercadoria
O dinheiro pode ser determinado pela atividade económica orgânica, resultando num mercado que estabelece os seus próprios tipos de dinheiro, frequentemente baseados em recursos naturais escassos. O ouro e outros metais preciosos, por exemplo, têm sido aceites como valiosos em mercados e culturas de todo o mundo. Objetos como sal, ferramentas ou até cigarros podem tornar-se uma moeda de facto num mercado sem o apoio de um governo ou instituição.
Dinheiro representativo
O dinheiro representativo, sob a forma de notas de papel ou notas físicas, é dinheiro garantido por uma mercadoria valiosa, embora não seja em si mesmo valioso.
No padrão-ouro, por exemplo, o dinheiro era garantido pela mercadoria valiosa do ouro, pelo que cada nota impressa ou moeda cunhada teria uma quantidade correspondente de ouro detida pelo governo emissor. Neste sistema, o dinheiro é uma representação de um bem existente. Muitos países abandonaram o padrão-ouro e passaram a emitir moeda fiduciária.
Moeda fiduciária
A moeda fiduciária é outro tipo de moeda emitida pelo governo, mas não é garantida por nada de valor físico, como ouro ou prata. O valor de uma moeda fiduciária é garantido pelo governo que a emitiu, sendo determinado pela estabilidade e pela confiança generalizada nesse mesmo governo.
Tanto a moeda fiduciária como o dinheiro emitido pelo governo e garantido por um ativo físico podem ser designados como moeda legal, o que assegura a sua aceitação por todos os organismos governamentais.
Dinheiro fiduciário
Quem já passou um cheque utilizou um substituto monetário, ou dinheiro fiduciário. Os substitutos monetários podem ser uma alternativa conveniente ao transporte de grandes quantidades de dinheiro vivo. Os cheques, por exemplo, são aceites como substituto de dinheiro que mudará de mãos mais tarde, funcionando como um processador de pagamento simplificado.
As vantagens do dinheiro fiduciário são a conveniência e a portabilidade. No entanto, também pode ser arriscado, porque é possível criar ou receber substitutos monetários que prometem mais dinheiro do que aquele que sustenta o substituto. É possível, por exemplo, passar um cheque por um montante superior ao saldo disponível na conta bancária.
Como é que os economistas medem a oferta monetária?
Os economistas utilizam uma ferramenta de medição formalizada conhecida como agregados monetários para avaliar a quantidade de dinheiro em circulação. Estas ferramentas ajudam a compreender a saúde da economia e permitem aos bancos centrais como o Banco Central Europeu elaborar a política monetária. Na zona euro e em Portugal, existem várias categorias de agregados monetários para ajudar a medir a oferta monetária da economia.
- A primeira categoria é o M0, a base monetária, que se refere a toda a moeda em circulação, incluindo notas e moedas, bem como as reservas bancárias detidas pelo banco central.
- A segunda categoria é o M1, que engloba todo o M0 mais cheques de viagem e depósitos à ordem, ou seja, depósitos bancários que podem ser levantados sem aviso prévio, como as contas à ordem e as contas de poupança.
- A terceira categoria é o M2, que inclui todo o M1 mais depósitos a prazo e participações em fundos do mercado monetário, nos quais o dinheiro de investidores é combinado para investir com segurança, normalmente em obrigações governamentais de curto prazo ou dívida corporativa de alta qualidade.
O acompanhamento de agregados monetários como estas três medições oferece uma visão aprofundada sobre a atividade económica, o crescimento e o risco de inflação, aspetos fundamentais para quem pretende iniciar um negócio de e-commerce ou gerir uma operação comercial de forma informada.
Perguntas frequentes sobre o que é o dinheiro
Qual é uma boa definição de dinheiro?
O dinheiro é uma reserva intermediária de valor, um meio de troca e uma unidade de conta que pode assumir qualquer forma física ou digital com valor amplamente reconhecido. O dinheiro permite às pessoas trocar bens sem terem uma mercadoria física que a outra parte deseja, como aconteceria num sistema de troca direta.
Porque é que o dinheiro foi criado?
O dinheiro foi criado para funcionar como um bem intermediário capaz de facilitar o comércio e armazenar valor. Ao contrário de mercadorias ou bens, o valor monetário do dinheiro pode ser separado da sua utilização funcional. Por outras palavras, o papel em que um euro, dólar ou renminbi é impresso quase não tem valor além de ser uma unidade monetária.
Quais são os quatro tipos de dinheiro?
Os quatro tipos de dinheiro são dinheiro-mercadoria, dinheiro representativo, moeda fiduciária e dinheiro fiduciário ou substitutos monetários. Um possível quinto tipo é a criptomoeda, mas, devido a flutuações acentuadas no valor e a uma utilização relativamente rara como meio de troca, existe debate sobre se se qualifica efetivamente como dinheiro.
O dinheiro é sempre notas e moedas?
Não. O dinheiro pode ser qualquer coisa física ou digital com valor reconhecido. Ao longo da história, as sociedades utilizaram tudo, desde cruzes de metal a joias e sal, como forma de dinheiro. Nos dias de hoje, grande parte das transações comerciais, nomeadamente no e-commerce, é realizada de forma totalmente digital.

